terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Desejo e Reparação

Existem coisas muito loucas. Coisas que não consigo explicar. Coisas que eu não queria sentir. Coisas que me deixam louca.

Ansiedade não é meu forte. Não sei se é ansiedade. É ver algo que te lembre de algo e sentir um aperto no peito. Um aperto no peito quase que insuportável, que traz consigo um frio na barriga, famosas borboletas no estômago. E uma sensação de querer não querendo. Um desejo recusável. Um desejo tentador e obsceno e ao mesmo tempo terno e ingênuo. É sentir algo tão forte que te faz sofrer. Estar à mercê disso é tão ameaçador que me pergunto o que estou fazendo ao me permitir tudo isso. Porém não sei se quero me privar disso. Privar-me da dor, do prazer, do amor, do ódio. É o amor misturado com o ódio. Eu sinto raiva, ira, revolta por estar assim. E ao mesmo tempo sinto amor, ternura, carinho. Como coisas tão contraditórias podem ser tão ambivalentes? Tão desejáveis e tão destrutíveis?

Por que me sinto assim AGORA? Não antes e nem depois. Somente agora. Neste presente. Será o futuro seguro? Deve ser, o passado está aí pra me lembrar disso.


"You stick around and it may show... I don't know, I don't know..."

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

It's certainly a thrill

Existe uma músicas dos Beatles que as pessoas não dão muito crédito, por não ser nenhuma "criação genial", assim como outras músicas deles são consideradas... mas que sem dúvidas é uma de suas melhores músicas e que, com certeza, influenciou muita gente e fez algumas (algumas não, diversas) pessoas apaixonarem-se por rock'n'roll e essa música chama-se Day Tripper.

Outra coisa que eu fico me perguntando é como o John e o Paul dividiam quem ia cantar cada música, por composição própria não é... qual seria o método? "Acho que essa música combina mais com a sua voz"... assim como tem álbuns que as músicas são predominantemente cantadas pelo Paul, enquanto outros pelo John.

Enfim, qual é o melhor álbum? Abbey Road ou Sgt. Pepper's? Enquete neste blog!


"She's a big teaser. She took me half the way there. Tried to please her... She only played one night stands."

domingo, 25 de janeiro de 2009

Le Petit Prince

E foi então que apareceu a raposa:
- Boa dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.

O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela á agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Pássaros livres

Eu não sou imoral. Eu descobri que eu sou uma pessoa vazia e, paradoxalmente, uma pessoa repleta de carinho por alguém. E descobri que não existe como substituir pessoas. Aliás, eu já tinha aprendido isso uma vez, mas parece que eu esqueci. Esqueci-me de que já tinha tido essa lição uma vez. Dizem, e é real, que o ser humano só aprende através da repetição.
Por que insistimos em atropelar sentimentos? Ou que podemos sempre ter o controle? Esquecemos que existe luto, tristeza, perdas, saudades do que era bom e não podemos ter mais.
Vi num filme algo que me pareceu coerente. Na vida precisamos perder pessoas para enfim aprender o quão elas são importantes para nós. De outra maneira, talvez não saberíamos.
Insistimos muitas vezes nas coisas erradas, em querer o que não nos "pertence" mais e nem devem pertencer. Queremos prender, aprisionar o que queremos para ter o desejado para sempre, e esquecemos que isso é só uma forma de ilusão. Tudo e todos que conquistamos, não precisam ser agarrados com força, força de quem tem medo de perder. O que é "nosso" está ali por querer estar ali.
É triste querermos prender alguém ou achar que devemos fazer de tudo para não perdê-las. A naturalidade e espontaneidade dos sentimentos é o que há de mais verdadeiro. O que é nosso, com certeza, está guardado. E o mundo, às vezes, até conspira a nosso favor.
Se conquistarmos algo, não precisamos ficar desesperados tentando não perder. Está aí o significado da conquista. Espontaneidade, reciprocidade, suficiência.
E se não conquistarmos, paciência. Nosso coração não pode sentir o que não queremos sentir. E alguns corações ficam quebrados em pedaços. Mas todos têm força para juntá-lo de volta.
Porém se você tem certeza de uma conquista, agarre-a, conserve-a, plante-a, trate-a com carinho. Você a colherá. É só isso que pode nos fazer feliz. A espontaneidade de cultivar e fazer crescer uma conquista.
E se você não a alcançou, não se martirize. O importante não é vencer, nem perder. É jogar. Isso que faz tudo valer a pena.



"Somos donos de nossos atos, mas não somos donos de nossos sentimentos.
Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos.
Podemos prometer atos, não podemos prometer sentimentos...
Atos são pássaros engaiolados. Sentimentos são pássaros em vôo."



"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba... Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém, só penso em você..."

sábado, 17 de janeiro de 2009

O post mais sincero do ano

A única coisa que eu tenho medo na vida é da solidão. E eu sempre achei que eu podia comprar a companhia dos outros através do sexo. Pra mim isso nunca pareceu imoral, porque eu nunca me senti imoral com isso. Talvez aos olhos de terceiros, eu fosse uma libertina.
Foi quando eu descobri que nada disso compra ninguém. E também descobri que as pessoas não devem ser compradas. Não que eu já não soubesse de nada disso antes. Sabia, mas talvez fosse um subterfúgio para a minha solitude constante. Às vezes a gente paga um preço alto por ser diferente. E às vezes podemos estar rodeados de milhares de pessoas e se sentir como se estivéssemos em uma ilha deserta.
Sempre fiz tudo com segurança, achando que eu podia manipular as pessoas e conseguir o que eu queria. Talvez, realmente, eu seja muito imoral.
Mas eu nunca me senti assim, porque eu sempre acreditei em amor, em liberdade, em fidelidade, em alegria. E principalmente em confiança. Sempre confiei demais. Apesar de eu sempre parecer desconfiada. Paradoxal...
Só que, de repente, um dia eu acordei e vi que minhas vontades estavam se virando contra mim. Eu que me achava tão segura, sinto-me agora uma espécie de prostituta, mas também uma cafetina. Eu me vendo e eu me compro. E pra quê? Pra conseguir o quê? Eu não consegui nada do que eu queria. Só consegui decepção e desilusão com tudo. Eu não queria deixar de acreditar em tudo que eu acredito.
Eu sofro e sofro calada. Só de vez em quando eu deixo alguma lágrima cair. Seria resignação? As pessoas não podem ser resignadas. Elas não conseguem sair de suas situações decadentes assim.
Sim, eu sou uma pessoa decadente e não me orgulho disso. Eu queria ser uma pessoa boa, de caráter, que meus pais tivessem orgulho de mim. Mas eu virei tudo que eles não queriam que eu me tornasse, uma pessoa sem objetivos, frustrada, que não consegue se relacionar com ninguém, e que faz piada disso tudo ainda.
Sarcasmo e ironia, apesar de muitas pessoas não saberem, é só uma fuga.
Isso é um segredo. Parece muito inteligente, e na verdade o é, mas é só fugir do sofrimento. Quer forma mais inteligente de fugir de tudo, ainda rindo?
Como se faz para consertar tudo e começar tudo de novo? Como se faz para ser uma nova pessoa?

Hahahahahahaha!!!

"No matter how he tried he could not break free and the worms ate into his brain."

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Let me hold you
For the last time
It's the last chance to feel again
But you broke me
Now I can't feel anything

When I love you
It's so untrue
I can't even convince myself
When I'm speaking
It's the voice of someone else

Oh it tears me up
I tried to hold on but it hurts too much
I tried to forgive but it's not enough
To make it all okay

You can't play our broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real

Oh the truth hurts
A lie's worse
I can't like it anymore
And I love you a little less than before

Oh what are we doing
We are turning into dust
Playing house in the ruins of us

Running back through the fire
When there's nothing left to say
It's like chasing the very last train
When it's too late
Too late

Oh it tears me up
I tried to hold on but it hurts too much
I tried to forgive but it's not enough
To make it all okay

You can't play our broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real

Oh the truth hurts
A lie's worse
I can't like it anymore
And I love you a little less than before

But we're running through the fire
When there's nothing left to say
It's like chasing the very last train
When we both know it's too late
Too late

You can't play our broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real

Oh the truth hurts
A lie's worse
I can't like it anymore
And I love you a little less than before
Oh and I love you a little less than before

Let me hold you for the last time
It's the last change to feel again

domingo, 11 de janeiro de 2009

Adaptação

A partir de amanhã estarei começando minha desintoxicação...
Parando com meu maior vício: coca-cola.
Eu simplesmente não vou mais tomar.
Pra ser bem sincera, eu acho que não vou conseguir. Mas tá na hora de ter algum objetivo e sair da inércia, e é meio bobo, mas vou levar essa questão da coca a sério.
Será um processo de adaptação.

Falando em adaptação, o filme com o mesmo nome, com o Nicolas Cage é simplesmente muito bom e eu não consigo parar de assisti-lo várias vezes. A trilha tem até Rolling Stones e David Bowie + Queen. E eu não sei porquê, mas eu consigo me identificar com todas as personagens do filme e por isso acho que ele é tão ótimo. Talvez cada personagem seja um protótipo de como eu me adapte a cada tipo de situação que se enfrenta diariamente. Assim como as orquídeas conseguem conviver e se criar em qualquer tipo de meio e sobrevivem a qualquer tipo de adversidade. Assim como eu sobreviverei sem coca-cola.

"It's the terror of knowing what the world is about. Watching some good friends screaming 'Let me out'. Pray tomorrow gets me higher. Pressure on people, people on streets."